quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Como Pães
Saiu de casa, passou na padaria comprou pães e um café que deixou derramar em um senhor que entrava na padaria bebendo um capucino,oque ela jamais imaginaria era que seria fraca e voltaria a comprar pães ir pra casa, e deixá-los sobre a mesa.
Com os olhos embaçados sem conseguir abri-los direito por causa da luz que o celular emitia, ele olhou as horas, 00:12 já estava tarde, não havia nenhuma ligação e nenhuma mensagem de texto; pegou no celular mais duas vezes, chegou até a abrir a caixa de saída para mensagens, mais logo bloqueava o teclado e se virava no travesseiro. Acostumou a ser teimoso e achar que ela sempre iria voltar, afinal todos voltavam para ele. Ele não era nenhum pouco modesto ao falar de si mesmo, e ao se gabar pelo que já tinha construído, não poderia negar que realmente era um rapagão esforçado e incrivelmente sedutor, e os elogios nunca acabavam por aí.
Na estrada o calor não a deixa em paz, deve ser pelo sentimento de arrependimento, de vontade de voltar, de ouvir a voz que a deixa tão bem e consolada, ou colocar um fone no ouvido e ficar apenas o observando, uma trilha sonora de fundo para o apreciar. Mas ela se sentia melhor que isso, ninguém vive apenas de carinho, ninguém merece ilusão, e ela se deu conta que estava se apegando ao grande mestre do ilusionismo, e a vida dela era encarada com realidade e pés firmes. Já são 00:36, e ela ainda está no mesmo lugar, em meio a uma dilema sem fim de seguir ou voltar, mas para ela as horas pareciam não passar, alí no mesmo lugar, o frio começou a chegar avisando a ela que o tempo acabou, ela sentiu saudade do cobertor e dos braços que a esquentavam e se foi.
Dois dias se passam e a saudade se torna incontrolável... O celular toca " amor ", ele atende e ela diz: - Abre a porta. com um abraço ele fala:- Preciso de você! Os olhares se cruzam, ela chora por saber que no fundo ela sempre vai voltar, não está faltando só ela pro mundo ficar perfeito, não é só dela que ele precisa.
Em um dia normal, sem nada de extraordinário, ela vai sair para comprar pão, encontrar com alguém que vai dizer a ela que parece que ela não tem dormido muito bem, oferece a ela uma xícara de capucino e a observa a cada gole, diz que já fazia algum tempo que há via comprando pão, e cada dia os pães eram diferentes, ela sorriu, que para ela isso não significava nada.
Chegou em casa encontrou ele pronto para seu cotidiano, colocou os pães na mesa para comer, trocaram carícias e o dia continuou...
No outro dia, ela torna a padaria, pede os seus pães, e reencontra com o senhor que a olha e diz: -Tão bela e tão presa! ela parece não gostar muito do ditado e o olha com uma cara de simpatia e logo depois a fecha. O senhor torna a puxar conversa:
- A vida é bem mais do que pães no café da manhã.
ela tenta o ignorar mais volta a olhá-lo irritada e responde com ironia:
- A vida é bem mais do que mexer com uma mocinha que tem idade pra ser sua neta! por incrível que pareça ela não se virou e continuou a olhar aquele senhor que tinha naquele olhos azuis uma resposta.
- Se você fosse minha neta não a deixaria comprar pães diferentes todos os dias, procurando em um novo sabor de pão alguma coisa que possa a ajudar mudar, ela estaria tão feliz com a vida que acostumaria a comprar sempre mesmos pães porque não iria querer que nada saísse do lugar.
Ela senti que isso a toca profundamente e com voz rouca proclama:
-Não se pode deduzir minha vida através de miseráveis pães. e sai uma lágrima do seu olho.
- Não se pode mesmo, mais pode-se deduzir através dos seus olhos de insônia, e do gole como toma uma xícara de capucino. Isso que usei são apenas metáforas, mais isso que você está sentindo é sua vida. Ela chorou e saiu sem saber que seria o ultimo dia que veria seu avô que nunca tinha conhecido antes.
Chegou em casa, colocou os pães sobre a mesa, pegou a sua bolsa e nunca mais voltou.
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