quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O sapinho de Plástico

 Quando completei seis anos, ganhei um ursinho de pelúcia, não sei quem me deu ao certo, mais não era um presente caro, logo se via que a pelúcia não era das melhores, então continuei abrindo os presentes, no meio de tantos mais caros e com marcas famosas o ursinho tinha sido o único que me impressionara; depois de abrir todos os presentes comecei a guarda-los, quase todos foram para o guarda-roupa de onde nunca saíram, deixei apenas o ursinho em cima da cama, mas não dei muita importância a ele; de princípio o chamei de Dexter pois era apenas mais um urso, no dia seguinte acordei abraçada com meu novo ursinho, então  passei a chamá-lo de Carinhoso; depois passei todos  os dias a chamá-lo com  nomes diferentes , com forme eu estava me sentindo eu gritava com ele algo do tipo: kimi raikkonen, Dick Vigarista, Mankley... E quando ia me despedir dele usava nomes como: Dinkwink, Baby Dinossauro, Dunga... Assim ele passou a ser meu fiel companheiro e lhe atribuí o nome fixo de : Madruga, era o nome perfeito para todas as minhas estações. 

Me afeiçoei  a ele, com ele brincava, almoçava, dormia e se iria na rua com meu pai o ursinho estava nos braços,  ele ouviu todas as minhas conversas, participou de todos os meus melhores e piores momentos da  infância. Os anos se passaram e meu ursinho foi ficando velho e rasgado. Chegou o meu primeiro dia de aula, minha mãe me arrumou toda para me levar, e lá estava eu com cabelos arrumados, toda uniformizada, mochila nas costas e Madruga nos braços; então minha mãe com a voz suave me disse que havia chegado a hora de deixar um pouco meu ursinho, eu chorava e ela chorava comigo  tentando me explicar que Madruga não poderia ir comigo, que era o momento de ir para a escola. Minha cabeça entendia, mas meu coração não aceitava. Foi minha primeira e mais difícil escolha, de um lado via  meu ursinho que simbolizava anos de minha inocência, meninice e despreocupação; do outro minha mãe que sofria comigo.

De mãos dadas, minha mãe e eu seguimos para a escola, apenas me lembro de saber que depois daquele dia nada mais seria como antes... 

Foi a primeira de muitas outras coisas que com o passar do tempo tive que deixar. Essa história foi baseada  em um pequeno texto que li quando tinha meus 7 anos, o texto que achei sozinha foleando os livros que havia na minha casa, o seu título era : " O sapinho de plástico ", todos os dias levava o livro para a escola comigo e tinha muita vontade de o ler na sala no horário de leitura, nunca tive coragem, colocava a culpa em minha visão dizendo que toda vez que lia escorria lágrimas de meus olhos, isso realmente acontecia, eu só não sabia que já me emocionava desde novinha, também percebi que talvez ninguém sentiria oque eu sentia . Deve ser por isso que me emociono tanto lendo, e por causa desse pequeno texto que sempre me preocupei com esses seres inanimados e as vezes sinto que eles tem sentimentos, parece que uma colher vai ficar sentida se eu pegar a outra, por esses motivos dou muito valor a eles, tenho ciúmes de meus objetos e textos,  e muito medo de ter que deixá-los. Mas isso sempre acontece, porque é preciso seguir em frente. 

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